Início » Casos policiais » Problemas técnicos adiam julgamento de acusado de matar cantor

Problemas técnicos adiam julgamento de acusado de matar cantor

Um novo julgamento foi marcado para o dia 17 de Outubro, às 9h

O julgamento de Thiago Batista de Barros, o Chupeta, assassino confesso do músico Daniel Nunes Aquino, o Dan Nunes, vocalista da Banda Tr3vo, começou às 10 horas desta terça-feira (11), no Fórum de Santos, mas não chegou ao fim. Após quase sete horas e meia de trabalhos, tudo o que foi produzido no Plenário do Júri foi desperdiçado, sendo nova sessão redesignada para a próxima segunda-feira (17), às 9 horas. Falha no sistema de gravação motivou o juiz Edmundo Lellis Filho a dissolver o Conselho de Sentença.

“Os depoimentos das testemunhas e o interrogatório dos réus foram gravados, mas o som está inaudível”, explicou o magistrado aos sete homens sorteados para compor o Conselho de Sentença. Para o próximo júri, eles não poderão atuar como jurados. De acordo com o juiz, um problema na “configuração do Windows” prejudicou a qualidade da gravação. Sete testemunhas, sendo quatro indicadas pela acusação e três pela defesa, depuseram ontem em plenário.

A dissolução do julgamento frustrou serventuários da Justiça, as partes e as pessoas em geral, em especial Silvio Luiz Aquino Nascimento, pai do músico. “Só no Brasil acontece essas coisas. Não é possível que não tenha um equipamento com backup. Enfim, você passa um dia todo, um sofrimento, e a gente tem de passar por isso. Estou muito triste, porque vou ter que passar por tudo isso de novo”. O pai de Dan Nunes foi uma das sete testemunhas ouvidas em plenário.

O problema na gravação foi percebido por volta das 17h15, logo após o promotor Cássio Serra Sartori e o advogado Eugênio Malavasi, constituído pela família da vítima como assistente da acusação, sustentarem por uma hora e meia a tese de queChupeta cometeu um homicídio qualificado pelo motivo torpe e pelo emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Antes, haviam prestado depoimento as sete testemunhas e, na sequência, o réu fora interrogado.

Lellis decidiu pela dissolução do Conselho de Sentença depois de ouvir as manifestações das partes. O representante do Ministério Público (MP) opinou pelo prosseguimento do júri, alegando que não haveria “prejuízo”, porque os depoimentos das testemunhas e o interrogatório do réu confirmaram na essência o que essas pessoas já haviam declarado no processo em outras oportunidades. Porém, o advogado Alex Sandro Ochsendorf, defensor do acusado, e Malavasi opinaram pela dissolução.

“Para não haver prejuízo às partes, a medida mais segura é dissolver o Conselho de Sentença e evitar futura nulidade do júri”, argumentou Ochsendorf, que não chegou a apresentar em plenário a sua tese de que o homicídio foi privilegiado, ou seja, cometido sob o domínio de violenta emoção, logo após injusta provocação da vítima. “Além dos jurados, o Tribunal de Justiça também é o destinatário da prova e eventual análise de recurso ficará prejudicada com uma gravação inaudível”, sustentou Malavasi.

O crime

Dan Nunes foi morto com um tiro nas costas na madrugada de 30 de março de 2015. Após se apresentar no bar Baccará, na Rua Oswaldo Cochrane, no Embaré, a vítima estava em frente ao estabelecimento, quando foi baleada por Chupeta, que passou pelo local dirigindo um carro. O réu fugiu e, após mais de três meses, se apresentou no Fórum de Santos, estando preso desde então em razão de preventiva. Caso seja condenado nos termos da denúncia do MP, está sujeito a pena de 12 a 30 anos de reclusão.

Resposta

Seu email não será publicado.Campo obrigatório *

*

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com